Observação

terça-feira, 11 de junho de 2013

A vida sempre é legal com quem não presta. Foi isso que aconteceu com Billy T., um homem bonachão e de riso fácil, que gosta de contar piadas sobre sua vida amorosa picante. Ele mora num casarão, com vista para o mar, embora até hoje ninguém saiba como enriqueceu. Narcotráfico, diziam os sussurros, e há anos a polícia o persegue, à procura de pistas ou de algum deslize. Mas Billy também não é idiota.

A única família que tem é uma filha rebelde de 16 anos e dois sobrinhos postiços, que o acompanham em seus "negócios". Suas piadas sujas os encantam, principalmente a Cataputa, uma montanha humana de músculos. Rip é mais calado e sorri discreto (quando sorri). Mas isso não desanima Billy, que toda noite, no jantar - hora sagrada -, continua seu monólogo feliz, nem se importando que a filha o ouça. Não que ela ouça, só mexe no celular, comendo pouco. Acha o pai um porco nojento e se a mãe não lhe obrigasse a visitá-lo, nunca iria à casa dele.

Esta noite Billy contou outro caso do que significa o T em seu nome. Todos os dias tem uma nova história e a de hoje é previsível: uma espanhola, entre um orgasmo e outro, o chamara de tesão. E o apelido pegara. Cataputa soltou uma gargalha sonora, ria de qualquer merda que o chefe falasse. Então a mesa ficou uns minutos em silêncio, enquanto Billy terminava sua macarronada, até que o telefone da garota tocou. Ela saiu quase correndo da sala, um raro sorriso tênue no rosto. Certamente era Mia, sua namorada gótica e esquisita, que tinha sérios problemas psicológicos.

Billy olhou a filha saindo e franziu o rosto.

- Por que essa tal de Mia liga tanto? Até na hora do jantar.

Cataputa debochou:

- Você sabe, sua filha prefere brincar de boneca que de carrinho.

- Ahn?

- É que ela não gosta muito de varinhas - o outro falou.

Billy coçou a face:

- Por que estamos falando de Harry Potter? Seja mais claro.

Rip revirou os olhos para Cataputa e foi direto:

- O que ele quis dizer é que sua filha é lésbica. E Mia é a namorada.

- Ah, é. - Billy T. concordou. Às vezes era mais lento que o normal. - Tinha me esquecido disso. Pensei que era brincadeira da mãe dela. E você devia guardar seus comentários para si, Cat.

Cataputa corou, e desculpou-se solenemente.

Billy fez sinal para ele parar. 

- Ok, ok. O jantar está ótimo hoje, Tom, usou alguma receita especial?

- Não, só tomate apodrecidos - respondo, sorrindo.

- Você é o cara, Tom. - ele ri, espalhafatosamente, e pede a sobremesa para a serviçal.

Deixo meu prato de lado. Cozinho para Billy há quase um ano e divido a mesas com eles durante as refeições, o que é uma honra. Sou especialista em comida italiana, segundo meu currículo, e também agente federal. Me infiltrei aqui para tentar destruir o esquema das drogas, mas em menos de dois meses Billy descobriu tudo. Então ele dobrou meu pagamento e me tornei agente duplo, colho informações policiais secretas, mas desconfio que Billy só me deixou viver por causa da comida que faço.

Bem, não importa, agora sou totalmente fiel a essa nova família.

(Será?)






2 comentários:

  1. 'a vida é sempre legal com quem n presta.'

    a vida é legal contigo?

    comigo ela é uma bitch, mas nos damos bem assim.

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