O Homem

quinta-feira, 13 de março de 2014

No to be Reproduced, de René Magritte


Sua autoconfiança é totalmente insuportável, mas também admirável.
Você persevera nesta vida que é uma luta contra nós mesmos e os outros.
Não tem receio de errar porque sabe que os erros são grandes armas.
Tornou-se forte assim, adquirindo experiência com as dores e alegrias.
Todos o olham com assombro e se perguntam se possui algum segredo.
Todos o invejam. Todos o querem. Nem que seja por um minuto.
E você se ri, escolhendo os mais fortes para andarem ao seu lado e os mais fracos para posteriormente destruir. E vice-versa.
Seu plano não é conquistar o mundo. É compreendê-lo. Não é encontrar a felicidade, e sim aproveitar todos os momentos que lhe são dados.
Você é singular. Adapta-se aos seus medos e os transforma. Sua maior habilidade é a ação.
Sua inteligência fascinante desarma as pessoas em um ínfimo instante, e elas atentam-se às tuas palavras, como se pudessem ser atingidas no peito.
Seus olhos leem tudo, suas mãos podem ser firmes ou suaves, seu corpo é uma muralha de carne.
Você é capaz de atos terríveis de egoísmo e gestos de extrema compaixão. Carrega a composição de todas as contrariedades humanas e gosta disso.
Você é um espelho inquebrantável que parece refletir algo importante, mas no fim esconde mistérios ainda maiores.

Do meu coração partido

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013


Peguei o caminho mais árduo e longo para ver se ele acabava em você
Mas para minha surpresa, descobri que você escolheu um atalho, e vetou a passagem
Talvez eu tenha demorado demais.Talvez não tenha sido a hora certa. Talvez. Esta resposta me irrita profundamente, porque você costumava dizê-la. E a repetia e zombava e ria
(De mim? Para mim?)
Com o caminho vetado, fui obrigada a dar meia volta
O mundo de solidão me aguardava
Mas, outra surpresa
Você também estava naquele canto solitário, com sua onipresença
Dizia "me desculpe, mas é assim, é assim. Você entende?"
Eu não entendia. Ou entendia, já nem sei
Só deixei que me abraçasse, e tentasse curar a dor que me causou
No fim, uma certeza restava:
Até ter o coração partido por você me trouxe prazer.


A Brusca Poesia do Homem Amado

segunda-feira, 28 de outubro de 2013






 Para o meu amado


O meu amor é vertiginoso
Quando mais se dá mais se tem
Meu amor é a eterna esperança da chuva que nunca vem
Meu amor é a poesia que ninguém lerá
É a celebração das suas qualidades inexistentes
Meu amor é o vício que corrói as suas entranhas
O beijo inadiável em cada uma das pestanas
Quando você diz que me odeia, lá está o meu amor
Porque ele talvez seja a indiferença revolvida na dor
Meu amor é o cinismo e também o sarcasmo
É a pele aveludada recendendo a marasmo
Meu amor é a primeira prostituta com quem você dormiu
O seu pai, a sua irmã,  aquela que te pariu
Meu amor é o adolescente já amadurecido
Que depois, em seu caminho, fica um pouco perdido
Meu amor é treva, é sombra, é um clarão
E embora você não compreenda também é seu coração
O meu amor é um tapa na sua vida certinha
É a mulher-fera ou uma doce menininha
Meu amor é a sua visão doente de catarata
O seu sorriso quebrado que perpassa a alma
Meu amor é a vida explodindo em cores
É o seu corpo morto envolto de flores
O meu amor é a coragem que você sempre provou
Mas também a covardia daquele que nunca amou
O meu amor é o seu tórax, sua coxa, seu corpo inteiro
A pessoa que você vê quando olha no espelho
O meu amor é o tempo que nunca muda
É a sua boca me chamando de vagabunda
O meu amor é como as mentiras que você conta para mim
As mesmas mentiras que me levarão ao fim
O meu amor é o pecado, da ira até o ócio
Meu amor só está completo quando aplicado ao seu ódio.








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