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A Vigília de Hero - Manuel Bandeira

domingo, 18 de agosto de 2013


Hoje vou publicar uma das minhas poesias preferidas, de um autor que adoro. Além de linda, é baseada numa história da mitologia grega, se quiser saber um pouco mais é só acessar aqui





A VIGÍLIA DE HERO
(Manuel Bandeira)


Tu amarás outras mulheres
E tu me esquecerás!
É tão cruel, mas é a vida. E no entanto
Alguma coisa em ti pertence-me!
Em mim alguma coisa és tu.
O lado espiritual do nosso amor
Nos marcou para sempre.
Oh, vem em pensamento nos meus braços!
Que eu te afeiçoe e acaricie...

Não sei por que te falo assim de coisas que não são.
Esta noite, de súbito, um aperto
De coração tão vivo e lancinante
Tive ao pensar numa separação!
Não sei que tenho, tão ansiosa e sem motivo.
Queria ver-te... estar ao pé de ti...
Cruel volúpia e profunda ternura dilaceram-me.

É como uma corrida, em minhas veias,
De fúrias e de santas para a ponta dos meus dedos
Que queriam tomar tua cabeça amada,
Afagar tua fronte e teus cabelos,
Prender-te a mim por que jamais tu me escapasses!

Oh, quisera não ser tão voluptuosa!
E todavia
Quanta delícia ao nosso amor traz a volúpia!
Mas faz sofrer... inquieta...
Ah, como poderei contentá-la, jamais!
Quisera calmá-la na música... Ouvir muito, ouvir muito...
Sinto-me terna... e sou cruel e melancólica!

Possui-me como sou na ampla noite pressaga!
Sente o inefável! Guarda apenas a ventura
Do meu desejo ardendo a sós
Na treva imensa... Ah, se eu ouvisse a tua voz!



(Do livro Estrela da Vida Inteira, de Manuel Bandeira, editora Nova Fronteira)

Fragmentados

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

O que dizer sobre nós dois? Somos tão imperfeitos que perdemos o significado diante das muitas palavras que poderiam nos descrever. Tentamos nos compreender fixando os olhos no presente, mas um jorro do vazio nos afoga; o mesmo vazio que chamamos de amor e que tentamos preencher com a companhia um do outro. A sincronicidade das nossas vidas descolore o mundo, contudo, os tons preto e cinza sempre se adequaram à perversidade humana. Somos perversos? Talvez. Mas também temos a decência de não cairmos na hipocrisia. Eu não quero que nos apaixonemos, quero somente o seu corpo enquanto ele ainda me atrai. Quero que me mate a cada instante e finja que deseja o meu bem. Espero que me leve ao seu inferno, tão ambíguo quanto seus escritos que nunca entendo. Não existe nenhum caminho para a felicidade, porém se existisse ele desembocaria em sua alma. Mas a felicidade é só uma arma usada contra nós para nos ferir no futuro, e possivelmente quem irá me ferir é você.


Ariana M.
in Fragmentados

Meu eterno Namorado

segunda-feira, 25 de março de 2013


Poema da minha amiga Leidiane R. Barros


Palavras se perdem diante de tantas que poderiam expressar o que sinto
Em meus olhos há sonhos e planos desenhados... e uma vontade imensurável de te ver
Queria poder deitar-me sob o sol ao seu lado
E ver o céu descrever meu amor por ti
Livrando-me dos medos e coisas que me acovardam
Que me fazem pensar que um dia tudo isso será tirado de mim
Quando fecho os olhos é como se eu sentisse você aqui...
E que mesmo tanta distância não será capaz de me afastar deste amor
Porque quando você está longe, meu coração espera ansioso sua volta... espera enlouquecido por cada ligação, cada frase que dirá, meu amado...
Queria descrever em poucos versos as palavras que me diz o coração...
Que te espero desde o cair do dia até a última estrela que se apaga na outra manhã
Sinto dentro de mim um sentimento que não sei explicar
Que veio de algum lugar e invadiu minha alma...
Eu desejo que você seja meu, amado, para todo o sempre...
Meu único e eterno namorado.

Budapeste, de Chico Buarque

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013



Trechos selecionados do livro Budapeste, de Chico Buarque.
 
Por um segundo imaginei que ela não fosse uma mulher para se tocar aqui ou ali, mas que me desafiasse a tocar de uma só vez a pele inteira. Até receei que naquele segundo ela dissesse: me possui, me faz amor, me come, me fode, me estraçalha, como será que as húngaras dizem essas coisas? Mas ela ficou quieta, o olhar perdido, não sei se comovida pelo meu olhar passeando no seu corpo, ou pelo falar pausado no idioma dela [...]. E eu também me comovia, sabendo que em breve conheceria suas intimidades e, com igual ou maior volúpia, o nome delas.
(pág. 46) 

Duas pessoas não se equilibram muito tempo lado a lado, cada qual com seu silêncio; um dos silêncios acaba sugando o outro.
(pág. 61) 

Houve um tempo em que, se tivesse de optar entre duas cegueiras, escolheria ser cego ao esplendor do mar, às montanhas, ao pôr-do-sol do Rio de Janeiro, para ter olhos de ler o que há de belo, em letras negras sobre fundo branco.
(pág. 96) 

De tanto me devotar ao meu ofício, escrevendo e reescrevendo, corrigindo e depurando textos, mimando cada palavra que punha no papel, não me sobravam boas palavras para ela.
(pág. 106) 

Tive a sensação de haver desembarcado em um país de língua desconhecida, o que para mim era sempre uma sensação boa, era como se a vida fosse partir do zero.
(pág. 155) 

Minha cabeça já alçava vôo, meus pensamentos vinham em verso.
(pág. 165)

Prêmio Dardos

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O Prêmio Dardos, prestigiado e desejado no mundo dos blogs, reconhece o mérito diário a cada blogueiro que com amor e dedicação faz espalhar o seu conhecimento e criatividade, tornando-o disponível para todos na web. De acordo com as regras, devemos:  exibir a imagem do selo no blog, colocar o link do blog de quem se recebeu o prêmio, escolher outros blogs para receber o selo Prêmio Dardos e avisar aos escolhidos.

Tive a honra de ter sido escolhida pela Lu Rosário. Entre os cinco blogs escolhidos estão:


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ℓiвrυ ℓυмєท

O toco da coruja

Sibilinos

de Dai para Isie






Design e código feitos por Julie Duarte. A cópia total ou parcial são proibidas, assim como retirar os créditos.
Gostou desse layout? Então visite o blog Julie de batom e escolha o seu!